quinta-feira, 30 de setembro de 2010

É estranho como você pode ficar míope quando está invisível.
J. K. Rowling

quarta-feira, 29 de setembro de 2010


Eu gosto do piano do início, de quando os dedos dedilham leve e dramaticamente as teclas brancas e o som emitido por elas me atinge os ouvidos e eu caio no chão, como se estivesse sob ecstasy. Eu gosto do piano do início porque ele é de uma simplicidade metafórica indescritível e de uma beleza abstrata inenarrável, e sem ele a música não seria a mesma, sem ele a música nem seria música, seria algo sem vida, sem sangue, sem verdade, não sei se você me entende, me entenderia se tivesse ouvido o piano do início, o maravilhoso e invulgar piano do início. Eu gosto do piano do início porque ele faz-me lembrar, faz-me relembrar e faz-me reviver O Dia, assim em maiúscula mesmo, pois ele foi o dia mais verdadeiro do ano, este ano de vinte e tantos meses. Eu gosto do piano do início, eu gosto, eu adoro, eu amo, eu sinto, eu sou o piano do início, tenho a mesma intensidade que ele, a mesma leveza e liberdade que ele, eu tenho, eu sei que tenho, mesmo ninguém dizendo, mesmo ninguém estando ao meu lado para dizer que meu sangue grita liberdade, eu sei que tenho, eu sei que sou o piano do início e por isso o amo tanto, o amo todo - como um amor egocêntrico e ojerizado. Eu gosto do piano do início porque ele é a única companhia que tenho e por isso o guardo, o resguardo, o adoro. Eu gosto do piano do início, eu gosto de quando as notas leves rompem com o silêncio ensurdecedor da minha clausura de vida, clausura de pedra, e gosto de quando as notas violentas e deselegantes invadem-me a alma seca, tornando-a vívida como jazz improvisado à luz fosca dos postes fracos em noite quente de verão. Eu gosto do piano do início, só Deus sabe o quanto eu gosto do piano do início, o quanto eu me derreto em lágrima e fantasia com o piano do início, com os bemóis fleumáticos e sustenidos melancólicos e com tudo o que os maravilhosos e invulgares segundos nos quais as notas me envolvem o corpo são capazes de fazer. Eu gosto do piano do início e das coisas boas que ele me traz.

domingo, 19 de setembro de 2010

1. Primeira coisa que você lava no chuveiro? Mãos.
2. Qual é o seu hobbie favorito? Ler.
3. Como você está se sentindo agora? Com sono.
4. Qual é a coisa mais próxima de você que é vermelha? Edredom.
5. Como foi seu último sonho? Eu numa limusine do lado do Barney de How I Met Your Mother, e a limusine era muito rápida e eu achei que ia morrer.
6. O que você quer agora? Ir pra Salvador -q.
7. Você é emotivo? Sim.
8. Já contou até 1000? Não, por que eu faria isso?
9. Você morde ou lambe o sorvete? Lambo.
10. Você gosta do seu cabelo? Não, rs.
11. Você gosta de si mesmo? Não, er.
12. O que você está ouvindo agora? This Town ain't Big Enough for the Both of Us - The Sparks. Não sei que banda é essa, faz parte da soundtrack de Kick-Ass.
13. Queria poder mergulhar no céu? Você está falando de andar de avião?
14. Você já conheceu uma celebridade? Não.
15. Existe alguma coisa brilhante onde você está? O monitor.
16. Qual seu lugar preferido da casa? A ~laje~.
17. Você já passou trote? Sim.
18. Já esteve em um trem? Sim.
19. Você tem celular? Sim.
20. Qual seu filme preferido? Nine.
21. Você tem alguma arma? Não =(
22. Como gostaria que fosse seu cabelo? Tipos o do Johnny Depp em 1992.
23. Com quem você vai estar hoje a noite? Com ninguém ._.
24. Você é alto? Sim.
25. O que vai fazer amanhã? Escola. O dia inteiro.
26. A última vez que você chorou? Sexta-feira.
27. Qual foi a última pergunta que você fez? Por quê? Não me lembro.
30. Estação favorita? Outono.
31. Você tem alguma tatuagem? Daqui há quatro anos, who knows.
32. Você é sarcástico? Acho que sim.
33. Já pulou um muro? Sim.
34. Cor favorita? Laranja.
35. Alguma vez você já bateu alguém? Sim.
36. O seu cabelo é crespo? Não.
37. Qual foi o último CD que você comprou? Back to Black, da Amy.
38. Aparência importa? Sim. Não tanto, mas importa.
39. Você poderia perdoar uma traição? Não sei.
40. Você gosta de sua vida agora? Não.
41. Você consegue ficar sem mentir? "Pequenas mentiras fazem parte do meu cotidiano e tento diminuir isso."
42. Você odeia ou não gosta de muita gente? Não.
43. Quantas vezes você fala ao telefone? Poucas vezes.
44. O que você está vestindo? 'Pijama'.
45. Qual é seu animal favorito? Eu gosto de elefantes.
46. Onde você tirou sua foto do perfil? No closet (?) dos meus pais.
47. Você é estudioso? Tento ser, mas não adianta muita coisa. 
48. Você tem um emprego? Não.
49. Alguma vez você já pensou em se matar? Esse sempre foi o plano B, já pensei em usá-lo, mas achei melhor não.
50. Acha terrível pessoas…? Que ajem como superiores. Todos nós em algum momento pensamos que somos superiores em relação a algumas pessoas, mas agir como se isso fosse verdade é completamente diferente.
51. Você acha que o sexo oposto te acha atraente? Não ._.
52. Uma pessoa para te conquistar precisa? Não precisa muita coisa.
53. .. E jamais deve? Sei lá.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010


apenas um leve toque
apenas um leve toque
apenas um leve toque de mim

Eu sentei e pensei no dia em que você irá morrer. E pensei que esse dia será um dia bonito, o sol se pondo laranja e alegre, crianças correndo na rua, adolescentes às gargalhadas, teu sangue a cair vermelho em slow motion, teu rosto pálido caindo em estagnação infinita, os olhos revirando-se e nunca mais voltando ao normal. E pensei que morderei veneno e que não morrerei, porque nada mais vai me matar - tua morte me fará vil e forte como nenhum outro um dia já foi. E pensei que sorrirei feliz pela primeira vez na vida, lamberei teu pulso estático, morderei teu pescoço, beliscarei teu queixo, morrerei de rir jogando para cima teu sangue leve e quente e molhado. E pensei que me arrependerei do que fiz e, tristonho, chorarei por não saber onde esconder teu corpo já gelado e morto. E pensei que, ao esconder-te em porta-malas de carro grande e arremessá-lo ao penhasco, como em filme de ação, me esconderei em porão escuro vendo eternamente as fotos do teu sangue caindo, caindo e caindo ao âmago ensimesmado, ao gozo fugaz de uma vida inacabada.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Eu escrevi um monte de coisa, sério mesmo. Mas daí eu reli tudo e descobri que tava tudo uma porcaria e resolvi deletar tudo.
Enfim, eu poderia sobre esse meu fim de semana + feriado prolongado que foi super animado - acho que 70% do tempo eu passei dormindo e os outros 30% com sono, lendo Até Mais e Obrigado Pelos Peixes e vendo Kill Bill (LINDO LINDO LINDO ♥).
Então, né, última sexta teve o aniversário do meu irmão de 9 anos e eu gostaria de deixar bem claro que festas de criança são as coisas mais chatas do universo. Tipos, sério, quem teve a ideia de inventar essa merda jamais saberemos, coisa mais entediante. Enfim, minha mãe me mandou distribuir cachorros-quentes e eu adotei a política de só entregar pras crianças mais bonitinhas, de modo que as feias ficaram muito revoltadas e gritaram etc. E esse foi o ponto alto do meu dia, clap, clap, clap. Sexta-feira muito louca.
Ah, último sábado a noite eu fui a um casamento, que é também uma das coisas mais entediantes do mundo. O pior é que eu fui de roupa social + tênis e as pessoas ficaram me olhando com cara de vinte e cinco por cento, mas eu me ergui em todo meu esplendor e fiquei de boa escutando a orquestra tocar a música do final de Dirty Dance e do final de Shrek - até porque essas eram as únicas que a orquestra sabia tocar. A noiva chorou hidrelétricas e todo mundo resolveu que tava tudo muito emocionante e começou a chorar também e eu fiquei meio desorientado sem saber se deveria me emocionar também, batendo palminha com uma garotinha de oito anos que tinha me perguntado: "Sua mãe não te arruma pra sair de casa?".
Descobri que minto muito também. Sério, num domingo desses um grupinho que eu meio que faço parte marcou de fazer uma limpeza na sala de teatro e eu fui junto porque me chamaram ~GRAXEIRO~, mas eu meio que falei que, opa, puxa puxa pessoal tenho um cinema às três :( que pena queria tanto ficar na chicadasilvagem com vocês sad rainbow, e eles se comoveram com minha história porque é muito deselegante você impedir seu próximo de ir no cinema outrora marcado, e eu saí mais cedo lindamento. Daeeeeeee quando a gente se reencontrou, me perguntaram sobre o filme e, quando eu dei por mim, eu já tava tecendo comentários sobre o filme, falando sobre as partes que achei ruins, dando spoilers, fazendo crítica aos atores etc. Eu minto muito quando to em uma discussão muito acalorada (?) também, finjo que li todos os livros do Nabokov, cito Sartre, comento os pormenores de todos os filmes do Burton e Tarantino, etc. Espero que isso seja saudável e que eu não seja um mentiroso compulsivo, sei lá. Só não quero ter que ir pra psicólogo porque isso me assusta.
Assistam isso, porque é lindo.
Acho que vou tatuar WHATEVER WORKS, esse é o título de um filme do Woody Allen, o filme mais lindo do mundo, acho que todo mundo deveria ver, e se você ver e não gostar ou você é muito babaca ou muito quadrado, você pode escolher entre uma dessas opções ou talvez
ALÔ VOCÊ, preciso tirar 8 em química, 8 em matemática e 8,3 em física. A pergunta que vale um milhão é: você acha que eu vou conseguir? (complete com um N, um à e um O nos campos ao lado) _ _ _. A resposta é totalmente oblíqua e subliminar, porém I'M BRAZILIAN AND NEVER GIVE UP BABY e to na luta estudando to-dos os dias da semana (o que significa que a coisa é realmente muito preocupante, levando em consideração que um estudante de ensino médio que tá fazendo isso), até no domingo de manhã - essa última parte constitui veracidade, sério, se você acha que esse sacrifício todo vai adiantar alguma coisa adicione suas risadas sarcásticas na caixinha de comentários. I'M JUST A POOR BOY, I NEED NO SYMPATHY
Ai, gente, acabei de assistir Kill Bill, to sentimental.

O HERÓI ESTÁ ONDE MENOS SE ESPERA


Finjo que não me importo, que não dou a mínima, que vivo a vida espontânea e leve, tomo coca-cola, leio Zusak, assisto Nine, conto piada, sorrio, tiro fotos preto-e-branco sem jamais editá-las, ouço Baleiro, escrevo besteira, faço caretas no espelho, mas não adianta. Sinto falta daquilo que todos sentem falta, mesmo sem nem precisar ter contato com o objeto de saudade. Sinto saudade daquilo que deveria ter passado, mas não passou e nem vai passar, e isso me dói. Sinto falta, sim, sinto falta e continuarei a sentir falta de roma ao contrário, de andar pela cidade, as mãos entrelaçadas, como se tivessem nascido assim, sinto falta de palavras sussurradas, fabricadas para mim e para mais ninguém, apesar de nunca tê-las ouvido, sinto falta de somar meus sonhos infantis aos infantis de um outro que não sei quem é e nem sei se existe, sinto falta de per-ten-cer e ser pertencido. Eu quero seguir o caminho, o caminho dos tijolos amarelos, the Wonderland's way, o caminho dos que cansaram de ser perdedores, dos saciáveis, dos que não vieram com manual. Finjo que não me importo, que não dou a mínima, mas importa, eu sei que importa como ninguém mais sabe que importa, e sinto inveja dos outros e não sinto inveja de mim - até quando não sentirei inveja de mim?