sexta-feira, 16 de abril de 2010


Carla era só seus devaneios, seus verões, seus veraneios que faziam-na pequena. Carla era só os seus anseios, seus vilões e seus receios que faziam-se de algemas. Carla era triste como o sol de Roma. Carla era como um eterno coma. Carla era estrela decadente, já não ciente de si.
Trecho de Carla.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Boba menininha morta


Eu poderia limpar teu sangue que ainda suja o guarda-roupa onde dorme teu cadáver o sono dos mortos. Eu poderia parar de fumar o cigarro que você me deu, como se umas tragadas te fizerem viva. Mas tu já estavas morta, mesmo antes de bater em minha porta, oferecendo-me promessas falsas e lábios efêmeros. Morta tu, morto eu. As balas do rifle que te perfuraram, há muito já haviam me feito sangrar, boba menininha morta.
Ainda bebo a Coca-Cola comprada no boteco. Nada de álcool, tampouco Campari, tu me disse. Mas, boba menininha morta, meu sangue não necessita de álcool, tampouco Campari, para embreagar-se. Basta ver teu batom cor-de-pimenta manchando a lata amassada do refrigerante, teu salto quebrado, tua liga rasgada; basta ouvir de novo teus gemidos de dor, tentando entender a própria morte.
Não há nada a entender, boba menininha morta. Tu se matou, tu me matou, tu nos matou.
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Inspirado super no texto Assassinato, da Sam :)
Escrito enquanto ouvia A Little Priest, do Johnny Depp e da Helena Bonham Carter