Sofia sofria. Sofia sofria por não sofrer, por viver a vida escrita. Sofia tomava Domecq da adega nobre da cidade, quando queria tomar vinho barato em motel de beira de estrada enquanto bailava e gargalhava ao som de Amy Winehouse na vitrolinha. Sofia usava Louis Vuitton, quando queria usar jeans escuro comprado apressadamente em loja de bairro por estar atrasada para o trem que ia rumo ao sul, para passar o reveillon em Copacabana. Sofia escrevia poesia, quando queria escrever diário algum que valha a pena.
Mas, apesar disso e apesar daquilo, Sofia sorria.
O telefone tocou. Era ninguém - só um moço. Não um qualquer, mas um que almejava o pequeno coração da menina Sofia. Ela ignorou - deixou o telefonema morrer-se. De correntes para prendê-la bastava a da sua vida escrita.
Sofia deitou e olhou o teto. Era madeira, jacarandá da Amazônia, talvez. Queria olhar para outro teto - o do céu estrelado. Fechou os olhos e os abriu. E deparou-se com um céu pontilhado. Ironia da imaginação. De repente, percebeu que algo a incomodava, espetando-a levemente, e um estranho cheiro de natureza atingiu-lhe o nariz. Surpresa, Sofia percebeu que não mais em seu apartamento estava. Atordoada, correu ao encontro das luzes dos carros que cortavam a noite. E percebeu que não aquilo era ironia da imaginação. Podia sentir que era realidade - realidade que a tocava e a afetava. Viu uma grande placa que dizia: "Bienvenido a Buenos Aires". Olhou confusa para os lados, o vento e os carros passando, um pequeno jardim ao fundo.
_Está fazendo o quê, maluca? _perguntou uma garota ruiva com as mãos nos ombros de Sofia.
Pálida, olhou para as próprias mãos. Numa delas, uma garrafa meio cheia ou meio vazia de um vinho qualquer, desses que vendem em padaria. O rosto pasmo deu lugar a um sorriso há muito adiado. Não entendia nada, mas estava como sempre quis estar: livre.
sábado, 30 de janeiro de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
O que restou de 2009
2009 não foi um ano muito bom, tampouco um ano a ser repetido. Espero mesmo que dois mil e dez seja diferente desse marasmo de século. Mas, como no Brasil o ano só começa depois do Carnaval, eu vou ter que esperar um pouco. E, enquanto ele não chega, vou pondo as coisas que mais me marcaram nesse ano que, gracias a Dios, passou.
LIVROS
Ao todo, li 30 livros ano passado. Mas só 5 vão para a folhinha:
A Menina que Roubava Livros - Markus Zusak
A Hora da Estrela - Clarice Lispector
Eclipse - Stephenie Meyer
Veronika Decide Morrer - Paulo Coelho
Dom Casmurro - Machado de Assis
FILMES
Acho que, ano passado, só vi uns 5 filmes verdadeiramente bons no cinema:
Lua Nova;
Avatar;
UP;
2012;
O Dia em que a Terra Parou;
MÚSICAS
Deus sabe quantas músicas eu escutei. Na folhinha, só as 5 que me fizeram suspirar:
Lucky - Jason Mraz feat. Colbie Caillat
Little Joanna - McFly
And I'm Telling You I not Going - Glee Cast, cover Jennifer Hudson
A História de Lilly Braun - Maria Gadú, cover Chico Buarque
Pra Você Guardei o Amor - Nando Reis e Ana Cañas
LIVROS
Ao todo, li 30 livros ano passado. Mas só 5 vão para a folhinha:
A Menina que Roubava Livros - Markus Zusak
A Hora da Estrela - Clarice Lispector
Eclipse - Stephenie Meyer
Veronika Decide Morrer - Paulo Coelho
Dom Casmurro - Machado de Assis
FILMES
Acho que, ano passado, só vi uns 5 filmes verdadeiramente bons no cinema:
Lua Nova;
Avatar;
UP;
2012;
O Dia em que a Terra Parou;
MÚSICAS
Deus sabe quantas músicas eu escutei. Na folhinha, só as 5 que me fizeram suspirar:
Lucky - Jason Mraz feat. Colbie Caillat
Little Joanna - McFly
And I'm Telling You I not Going - Glee Cast, cover Jennifer Hudson
A História de Lilly Braun - Maria Gadú, cover Chico Buarque
Pra Você Guardei o Amor - Nando Reis e Ana Cañas
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Wonder
Como eu estava dizendo - ou talvez não -, acabei de voltar de São Paulo, que coisa incrível, maravilhosa etc. Foi bem legalzinha a viagem, me diverti bastante e pererê. Não tenho muito o que comentar, foi uma viagem incrivelmente... normal, exatamente como achei que não seria. O mais engraçado é que eu e a Agatha caminhamos lado a lado na relva esverdeada, quanto mais vida se instala em meu peito mais tenho esperanças de viver, pura poesia, lá no shopping. BUT não nos encontramos porque o shopping era GRANDE e a comunicação era PEQUENA - na base do sinal de fumaça, mas ninguém sabia que estávamos no mesmo lugar. God father, como a vida é irônica. Ah, e explicando a foto que ilustra esse post podre - não sou são-paulino, mas a imagem é muito wonder.
sábado, 9 de janeiro de 2010
Com alegria
Então, passei o reveillon (é assim que se escreve?) num pagode no meio de gente regada a muito alcohol e cocaine no interior. Mas ok, foi divertido. Tô meio sem muito o que fazer com a minha avó suplicando pra eu comer algo o tempo todo e sendo obrigado a ver mil novelas e o André Segatti cantando ALEGRIAAAA, COM ALEGRIAAAA, ALEGRIAAA n'A Fazenda. BUT a gente supera. A viagem tá meio tensa porque ninguém teve a ideia brilhante de me falar que SÃO PAULO É GRANDE. Não grande no sentido de nossa que grande mas grande no sentido de ENORME. E tipo ficar perdido no meio da cidade não é muito minha balada de verão, mas se for preciso a gente se joga. Combinei de me encontrar com a Agatha - e de brinde vai o namorado dela ._. - e com a Samia no shopping mais longe do mundo. Faço a mínima ideia de como chegar lá. Mas eu me viro. Eu sempre me viro. São Paulo não pode ser tão grande.
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